CORONAVÍRUS

Covid-19: especialista explica critérios que avaliam casos de reinfecção no Brasil


A primeira reinfecção por covid-19 registrada no país foi confirmada nesta quinta-feira (10)

Yuri Nery
Yuri Nery
Publicado em 10/12/2020 às 16:32
FREEPIK/BANCO DE IMAGENS
FOTO: FREEPIK/BANCO DE IMAGENS
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Enquanto vive a alta no número de registros da covid-19, é da cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, o primeiro caso de reinfecção para a covid-19 registrado no Brasil. A profissional de saúde de 37 anos testou positivo para a doença menos de quatro meses após a primeira infecção. O anúncio foi realizado nesta quinta-feira (10) pelo Ministério da Saúde. O biólogo e doutor em biotecnologia, Marx Lima, ressalta o que fez com que esse caso tenha sido registrado como a primeira reinfecção oficial para o novo coronavírus no Brasil, que levou em consideração as informações de uma cartilha divulgada em outubro pelo Ministério da Saúde.

“No dia 30 de outubro o Ministério da Saúde lançou uma cartilha, uma nota técnica, onde ele dá instruções para o que os profissionais de saúde devem considerar como caso suspeito de reinfecção. Eles dizem que se considera suspeito de reinfecção uma pessoa que testou positivo duas vezes no intervalo de 90 dias, independente do quadro clínico dela”, disse.

“Mais ou menos que aconteceu com esse caso. Uma mulher, por volta dos 30 anos, é uma profissional de saúde. Ela testou positivo para o vírus em junho. Foi isolada, teve um quadro gripal leve, problema de garganta, tosse. Depois que ela se recuperou, voltou a trabalhar. E aí em setembro ela fez um teste que deu negativo. E mais na frente, em outubro, ela voltou a ter sintomas gripais. Foi feito o teste, de novo, e deu positivo”, complementou o especialista.

Comparação

O biólogo explica ainda a diferença observada neste caso, ao comparar com outros quadros clínicos não oficiais de reinfecção para o coronavírus já registrados no país.

“É que se tinha amostra dos dois casos dela. A gente tinha amostra do episódio de junho. E a gente tinha as amostras do episódio de outubro. Então foi possível isolar o vírus dessas duas amostras (...) e analisando essas duas amostras a gente pôde ver que eram dois vírus em linhagens diferentes (...) São dois coronavírus, causadores da covid-19, que vêm de origens diferentes”, detalhou.

Vacinas

O especialista destaca que o fato de o novo coronavírus estar sofrendo mutações, ainda não traz evidências que revelem a capacidade de interferência no processo da criação das vacinas contra a covid-19.

“A gente não tem nenhuma evidência de que essas mutações que o coronavírus vem sofrendo, que elas vão alterar alguma coisa no desenvolvimento de vacinas (...) Ele tem sofrido mutações, em um processo até mais lento do que seria normal, ou do que a gente esperava, na verdade”, explicou.

Confira a íntegra da entrevista:


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