Caso von Richthofen: filmes mostram versões de Suzane e de Daniel, mas o que é verdade e o que mentira? O que os investigadores descobriram?

Filmes causaram polêmica por retratarem apenas as versões dos criminosos, sem aprofundar as investigações

CASO SUZANE VON RICHTHOFEN
Caso von Richthofen: filmes mostram versões de Suzane e de Daniel, mas o que é verdade e o que mentira? O que os investigadores descobriram?

Daniel Cravinho (no centro da imagem) era namorado de Suzane von Richthofen na época do crime - Foto: Reprodução

Os filmes “A menina que matou os pais” e “O menino que matou meus pais” retratam as versões conflitantes do ex-casal Suzane von Richthofen e Daniel Cravinhos para um dos crimes mais chocantes da História recente do Brasil: a morte dos pais dela, Manfred e Marísia. Nos longas, que se baseiam nos depoimentos prestados pelos dois, de um lado, Suzane se mostra frágil e diz ter sido influenciada a cometer o crime pelo namorado, que estaria interessado no dinheiro dos sogros. Por outro lado, Cravinhos diz o contrário. Segundo ele, foi a namorada que teve a ideia dos assassinatos, motivada pelas pressões que sofria dos pais, em um ambiente familiar bastante conturbado. Mas, na prática, quem diz a verdade? O que de fato aconteceu? Qual a tese dos promotores de Justiça que acusaram os criminosos?

Como em todo crime onde não há uma testemunha ocular, imagens de câmeras de segurança ou flagrante, a tese da acusação é construída com base em um retalho de informações que advêm de depoimentos de pessoas que estão ao redor do crime, além de provas colhidas no curso das investigações, além nos fatos e contradições acerca do que fizeram os acusados antes e depois do crime. No caso específico dos assassinatos dos von Richthofen, após vários depoimentos, Suzane, Daniel e o irmão dele, Cristian, confessaram os crimes. Mas o que a polícia concluiu?

Caso von Richthofen

Por que a polícia começou a suspeitar de Suzane?

Desde o primeiro momento, a polícia sempre suspeitou que os assassinos dos von Richthofen eram próximos da família. Isso porque não foram encontrados sinais de arrombamento nas portas da casa e o sistema de alarme de segurança não foi acionado.

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Uma ex-empregada da família chegou a ser ouvida como suspeita, mas os investigadores afastaram a hipótese de que ela teria participação no crime.  

Logo, chamou atenção também o fato da polícia ter descoberto que Cristian Cravinhos (cunhado de Suzane) comprou uma motocicleta 10 horas após o crime. Depois, a polícia descobriu que o veículo foi adquirido com 36 notas de 100 dólares que foram roubados da casa de Manfred von Richthofen.

 

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Suzane von Richthofen no dia do julgamento, em 2006
Suzane von Richthofen no dia do julgamento, em 2006
Reprodução/Arquivo

 

O que descobriu a polícia no Caso von Richtoffen?

Cristian foi o primeiro a ser preso por suspeita na compra da motocicleta. Em um primeiro momento, ele negou participação nas mortes, mas, depois, confessou o crime e indicou que Suzane e Daniel tinham participação também. De acordo com Cristian, os Richthofen não concordavam com o relacionamento entre o irmão dele e a cunhada e a única forma dos dois ficarem juntos seria matando os sogros de Daniel. 

A polícia também descobriu que Suzane e Daniel disseram que não deveriam falar sobre o assunto por telefone, apenas pessoalmente. 

Após cerca de cinco depoimentos, Suzane também confessou o crime e disse que o fez por amor a Daniel. Nunca ficou completamente claro de quem partiu a ideia dos assassinatos, mas a jovem revelou que a ideia começou a ser ventilada em agosto, cerca de dois meses antes do crime, praticado na madrugada de 31 de outubro de 2002. Depois, as investigações mostraram que os dois planejaram o crime por cerca de 2 anos. Os investigadores acreditam que os dois planejaram junto as execuções e convidaram Cristian a participar da execução, prometendo dinheiro ao irmão de Daniel. 

Irmãos Cravinhos mataram os pais de Suzane Von Richthofen
Irmãos Cravinhos mataram os pais de Suzane Von Richthofen
Reprodução

Noite do crime

Na noite do crime, Suzane levou o irmão para uma lan house. Segundo a polícia de São Paulo, ela confessou que, após voltar para casa, subiu as escadas e foi até o quarto dos pais se certificar de que eles estavam dormindo. Depois, ela acendeu uma luz para sinalizar que os irmãos Cravinhos poderiam entrar na residência, conforme relato da reportagem do Jornal Nacional da época. 

Como mostra no filme, foi Daniel quem confeccionou os barrotes usados para espancar os pais de Suzane. Após entrarem no quarto, Cristian se encarregou de bater em Marísia. Daniel espancou Manfred. Os assassinos usavam luvas e meia-calça para não deixarem digitais ou pelos na cena do crime. 

Segundo a polícia, o casal chegou a acordar, mas foi rapidamente apagado pelos Cravinhos. Os dois tiveram afundamento do crânio por causa das agressões. Após o espancamento, os dois perceberam que Marísia havia sobrevivido e decidiram asfixiar a médica psiquiatra com uma toalha molhada. 

Suzane ficou em um corredor da casa aguardando que os Cravinhos matassem os pais dela. 

O que Suzane fez de fato?

Suzane, segundo a polícia, foi responsável por bagunçar as prateleiras da biblioteca da casa. Ela também pegou joias da mãe e 8 mil dólares e 5 mil reais do pai. A ideia era fazer crer que os dois foram vítimas de um roubo seguido de morte. 

Também naquela noite, Suzane dividiu o dinheiro entre Cristian e Daniel. Em seguida, Cristian foi embora. Daniel e Suzane foram para um motel, a fim de criar um álibe. Depois, foram buscar Andreas na lan house. Ao chegarem em casa, segundo a Folha de São Paulo, Suzane e Andreas viram os corpos e chamaram a polícia. 

Mas o que motivou o crime?

Essa é uma pergunta que nunca foi plenamente respondida. O que se sabe é que, de fato, os pais de Suzane não aprovavam o relacionamento da filha com Daniel Cravinhos. Como mostram os filmes, um coloca a culpa no outro sobre a autoria do crime. Os investigadores acreditam que motivos financeiros também foram motivo para as mortes. Manfred era diretor da Dersa (estatal que administra estradas em São Paulo) e tinha patrimônio de cerca de R$ 1 milhão na época. 

Julgamento

O julgamento dos três aconteceu em 2006 e durou de segunda-feira até a madrugada de sábado. Suzane foi condenada a 39 anos e 6 meses, assim como Daniel Cravinhos. Cristian Cravinhos foi condenado a 38 anos. Eles foram condenados por homicídio triplamente qualificado e também por alterarem a cena do crime. No caso de Cristian, o juri popular também entendeu que houve o crime de furto.

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