ELEIÇÕES 2022

JAIR BOLSONARO: Biografia, trajetória militar, carreira e polêmicas envolvendo covid-19, vacinas e democracia

Militar, Jair Bolsonaro foi eleito em 2018 para ser o 38º presidente do Brasil com 57.797.847 votos

Marcelo Aprígio
Marcelo Aprígio
Publicado em 13/05/2022 às 11:08 | Atualizado em 13/05/2022 às 12:08
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Isac Nóbrega/PR
Jair Bolsonaro, 38º presidente do Brasil - FOTO: Isac Nóbrega/PR
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Eleito em 2018 para ser o 38º presidente do Brasil com 57.797.847 votos, Jair Messias Bolsonaro, atualmente filiado ao PL, é pré-candidato à reeleição ao cargo mais importante do país

Nascido em Glicério (SP), em 21 de março de 1955, Jair Bolsonaro é descendente de imigrantes italianos, que chegaram ao Brasil depois da Segunda Guerra Mundial.

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Marcelo Camargo/Agência Brasil
Jair Bolsonaro ao assumir a Presidência da República - Marcelo Camargo/Agência Brasil

Filho de Percy Geraldo Bolsonaro e de Olinda Bonturi Bolsonaro, Jair foi casado com Rogéria Nantes Nunes Braga Bolsonaro, vereadora no Rio de Janeiro entre 1993 e 2001, com quem teve três filhos, Flávio, Carlos e Eduardo.

Os três também seguiram pela política, tendo os dois primeiros sido eleitos para mandatos pelo Rio de Janeiro, enquanto Eduardo Bolsonaro eleito por São Paulo.

Divorciou-se e algum tempo depois contraiu segundas núpcias com Ana Cristina Vale, com quem teve outro filho, Renan.

REPRODUÇÃO/TV Brasil
Pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro e da primeira-dama Michelle Bolsonaro - REPRODUÇÃO/TV Brasil

Após nova separação, casou-se com Michele Bolsonaro em 2007, com quem teve sua primeira filha, Laura.

BOLSONARO E CARREIRA MILITAR

Em 1977 concluiu o curso de formação de oficiais da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), localizada em Resende (RJ), e o curso de paraquedismo militar na Brigada Praquedista do Rio de Janeiro.

Em 1983 formou-se em educação física na Escola de Educação Física do Exército, e tornou-se mestre em saltos pela Brigada Paraquedista do Rio de Janeiro.

Em 1986, servindo como capitão no 8º Grupo de Artilharia de Campanha, ganhou projeção nacional ao escrever, na seção Ponto de Vista da revista Veja, artigo intitulado “O salário está baixo”.

Para Bolsonaro, o desligamento de dezenas de cadetes da AMAN se devia aos baixos salários pagos à categoria de uma forma geral, e não a desvios de conduta, como queria deixar transparecer a cúpula do Exército.

GUGA MATOS/JC IMAGEM
Bolsonaro no Recife nesta quarta-feira (23) - GUGA MATOS/JC IMAGEM

O artigo levou à sua prisão, por infringir o regulamento disciplinar, mas a atitude de seus superiores provocou também a reação de oficiais da ativa e da reserva.

Bolsonaro recebeu cerca de 150 telegramas de solidariedade das mais variadas regiões do país, além do apoio de oficiais do Instituto Militar de Engenharia (IME) e de mulheres de oficiais, que realizaram manifestação em frente ao complexo militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro.

Em outubro de 1987, o clima de descontentamento entre os militares culminou em novos atos de indisciplina.

A revista Veja noticiou um plano em que o capitão Bolsonaro, na época cursando a Escola Superior de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), era um dos personagens centrais.

Denominado “Operação beco sem saída”, o plano tinha como objetivo “explodir bombas em várias unidades da Vila Militar, da Academia Militar das Agulhas Negras (...) e em vários quartéis”, com cuidado para que não houvesse feridos.

A operação, no entanto, só seria executada caso o reajuste concedido aos militares pelo governo federal ficasse abaixo de 60% e serviria para “assustar” o ministro do Exército, general Leônidas Pires Gonçalves.

O plano atribuído a Bolsonaro e ao capitão Fábio Passos da Silva provocou reações imediatas do ministro do Exército.

Convocados a se explicar, os dois capitães “negaram peremptoriamente, da maneira mais veemente, por escrito, do próprio punho, qualquer veracidade daquela informação”, segundo declaração do próprio general Leônidas.

MARCOS CORREA/PR
Orientação de general bateu de frente com o discurso do presidente - MARCOS CORREA/PR

Posteriormente, o fato de existirem testemunhas e provas documentais levou o ministro a considerar que se precipitara ao inocentar os dois capitães.

Leônidas Pires Gonçalves enviou então ao Superior Tribunal Militar (STM) os resultados de uma sindicância feita pelo Exército, que concluía que os dois envolvidos deveriam ser excluídos das Forças Armadas.

O julgamento, realizado em junho de 1988 pelo STM, decidiu pelo não afastamento dos dois capitães dos quadros do Exército, pois o tribunal acolheu a defesa dos militares, que “se consideravam vítimas de um processo viciado”.

BOLSONARO E CARREIRA POLÍTICA

Foi neste período que o hoje presidente da República decidiu ingressar na política, quando concorreu à Câmara Municipal do Rio de Janeiro e conseguiu uma vaga no Legislativo da cidade.

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PALÁCIO DO PLANALTO
Jair Bolsonaro (PL) - PALÁCIO DO PLANALTO

Em 1990, dois anos depois de eleito, conquistou o primeiro dos sete mandatos consecutivos no cargo de deputado federal pelo Rio de Janeiro.

Em 2014, foi o mais votado no Rio de Janeiro na disputa pela Câmara Federal, com 464.565 votos - conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em seus mandatos parlamentares, destacou-se pela defesa dos direitos dos militares ativos, inativos e pensionistas, mas especialmente por polêmicas, como exaltação a torturadores e à ditadura militar, além de um discurso antipolítica.

A carreira política de Jair Bolsonaro foi marcada por idas e vindas partidárias. Ao todo, o ex-capitão, integrou nove agremiações: PDC (1988-1993); PP (1993); PPR (1993-1995); PPB (1995-2003); PTB (2003-2005); PFL (2005); PP (2005-2016); PSC (2016-2018); PSL (2018-2019); e PL (2021-presente). Entre 2019 e 2021, o mandatário ficou sem partido.

CAMPANHA PRESIDENCIAL E ATENTADO

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Raysa Leita/ AFP
Jair Bolsonaro (PSL) foi atacado no dia 6 de setembro - Raysa Leita/ AFP

Pelo PSL, Bolsonaro se lançou na disputa presidencial em 2018, logrando êxito e derrotando o principal adversário no pleito, o petista Fernando Haddad, explorando uma pauta de extrema-direita.

Durante a campanha, no dia 6 de setembro de 2018, Jair Bolsonaro foi esfaqueado no abdômen no momento em que estava em meio a uma multidão fazendo campanha eleitoral na cidade mineira de Juiz de Fora.

Bolsonaro foi levado para a Casa de Misericórdia, onde se submeteu a uma cirurgia. A facada atingiu o intestino delgado e o intestino grosso.

Depois da cirurgia, Bolsonaro foi transferido para o Hospital Albert Einstein em São Paulo. No dia 13, depois de diagnosticado com aderência no intestino, Bolsonaro foi submetido a uma cirurgia de emergência, que foi bem sucedida.

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Reprodução/Twitter
Bolsonaro foi internado na madrugada desta segunda-feira (3) - Reprodução/Twitter

A partir de então, por segurança, evitou sair de casa. O agressor foi preso e levado para a Polícia Federal para prestar esclarecimentos.

MANDATO MARCADO POR POLÊMICAS

Na Presidência da República, Bolsonaro não se afastou dos posicionamentos polêmicos. Pelo contrário, fortaleceu-os, incorporando ainda outros.

Desde o começo, sua administração envolveu-se em uma série de controvérsias. Bolsonaro trocou nove dos ministros que havia indicado originalmente.

Em abril de 2019, Bolsonaro foi selecionado pela revista Time como uma das cem pessoas mais influentes do mundo naquele ano e o descreveu como um personagem complexo.

Bolsonaro desfiliou-se do PSL em 19 de novembro de 2019,[277] partido em que estava desde março de 2018, depois de divergências com o presidente do partido, Luciano Bivar.

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Alan Santos/PR
Posicionamento do governo brasileiro foi divulgado no fim da manhã desta quinta-feira (24). - Alan Santos/PR

Foi a primeira vez desde a redemocratização do país, que um presidente da República ficou sem legenda partidária durante o exercício do mandato.

Em seguida, anunciou o projeto de criação de um novo partido, a Aliança pelo Brasil (Aliança), o que não foi concretizado.

Em seu segundo ano de mandato, Bolsonaro minimizou os efeitos da pandemia de Covid-19 no Brasil, entrou em conflito com governadores, demitiu o médico Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde e causou a renúncia de Sergio Moro do Ministério da Justiça após exonerar Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral da Polícia Federal.

Desde 2021, o presidente vem intensificando uma agenda contra o Poder Judiciário e colocando em xeque a lisura do processo eleitoral pelo qual foi eleito e também pretende voltar a concorrer.

PANDEMIA DE COVID-19

Desde o início da pandemia de Covid-19 no Brasil, Bolsonaro emitiu várias declarações negacionistas sobre o vírus.

Bolsonaro criticou medidas cientificamente comprovadas de combate ao coronavírus, chegando até mesmo a fazer alegações consideradas pseudocientíficas sobre as medidas de proteção como o uso de máscara, distanciamento social e bioimunização com uso de vacinas, questionando sua eficácia e sua origem chinesa.

Em março de 2020, em um pronunciamento veiculado na televisão, no dia 24 de março, quando o país já registrava mais de 10 mortes pelo vírus, o presidente criticou o fechamento de escolas e comércios.

Ele ainda comparou a contaminação por coronavírus a uma "gripezinha" ou "resfriadinho" e disse que, se ficasse doente, não sofreria.

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Reprodução
Presidente Jair Bolsonaro - Reprodução

"Pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria acometido, quando muito, de uma gripezinha ou resfriadinho, como bem disse aquele conhecido médico, daquela conhecida televisão", afirmou.

Brasileiros de ao menos seis capitais protestaram com panelaços no dia desta polêmica frase na televisão e nos dias seguintes.

No final de abril de 2020, o presidente foi perguntado por um repórter o que ele tinha a dizer sobre o recorde diário de mortes notificadas naquele dia. Ao que o presidente respondeu:

"E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre", disse, em referência ao seu nome, Jair Messias Bolsonaro.

Em julho daquele ano, Bolsonaro comunicou à nação que contraiu o coronavírus. À imprensa, ele disse que estava se tratando com hidroxicloroquina, substância considerada controversa para esse fim.

Isso porque não há comprovação científica de sua eficácia no caso de covid-19 e pode causar efeitos colaterais graves, particularmente arritmia cardíaca.

Durante todo o anode 2021, o presidente Jair Bolsonaro permaneceu com constantes ataques à validade e eficácia da vacinação da população brasileira. 

No dia 4 de março do ano passado, o presidente passou rapidamente por Uberlândia (MG) horas antes de cumprir agenda em São Simão (GO), para inauguração de trecho da Ferrovia Norte-Sul.

Na ocasião, na chegada ao aeroporto local, o gestor cumprimentou apoiadores em meio a aglomeração e reclamou da pressão pela compra de vacinas contra a covid-19.

“Tem idiota que diz 'vai comprar vacina'. Só se for na casa da tua mãe. Não tem para vender no mundo”, disparou.

Bolsonaro aproveitou para falar sobre a medida vetada por ele, que permitia que estados comprassem as doses e posteriormente fossem reembolsados pela União.

“Alguns governadores queriam direito a comprar vacina e quem iria pagar? Eu! Onde tiver vacina para comprar, nós vamos comprar”.

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